O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu aumentar o imposto de importação sobre celulares e diversos produtos de tecnologia, medida que tende a pressionar ainda mais o preço de itens essenciais no cotidiano dos brasileiros. A elevação das alíquotas atinge mais de mil produtos e pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, impactando diretamente smartphones e equipamentos eletrônicos.
Segundo o Ministério da Fazenda, a decisão foi tomada com o argumento de proteger a indústria nacional e evitar um suposto risco de colapso diante da concorrência estrangeira. Na prática, porém, a política deve transferir ao consumidor o custo dessa proteção, encarecendo aparelhos que hoje já representam ferramenta de trabalho, estudo e comunicação para milhões de brasileiros.
Especialistas alertam que tarifas de importação funcionam como um imposto indireto sobre a população, já que o valor adicional costuma ser repassado integralmente ao preço final. Trata-se de um mecanismo clássico de protecionismo econômico, utilizado para tornar produtos estrangeiros mais caros e favorecer a produção doméstica — ainda que isso reduza a concorrência e limite opções para o consumidor.
A medida também ocorre em um contexto de sucessivos aumentos ou tentativas de elevação de tributos sobre consumo e compras internacionais ao longo do atual governo, o que tem gerado críticas de setores produtivos e da sociedade. Em iniciativas anteriores, mudanças na taxação de importações e compras externas já provocaram forte repercussão negativa, justamente pelo impacto direto no bolso da população.
Na prática, o aumento do imposto sobre celulares tende a atingir principalmente a classe média e trabalhadores autônomos, que dependem do aparelho para exercer suas atividades. Em um cenário de inflação persistente e renda pressionada, o encarecimento da tecnologia pode ampliar desigualdades no acesso digital e dificultar a renovação de equipamentos.
Críticos avaliam que a estratégia de elevar tributos para proteger a indústria nacional não resolve problemas estruturais de competitividade e pode, ao contrário, desestimular inovação e eficiência. Para o consumidor, o resultado mais imediato é simples: menos opções e preços mais altos nas lojas.