A crise da Guerino Seiscento ganhou um novo capítulo. A Justiça Federal revogou a tutela que beneficiava a transportadora e determinou o restabelecimento da plena eficácia da Deliberação ANTT nº 193/2026 e da Decisão SUPAS nº 842/2026. Na prática, as autorizações que haviam sido restabelecidas provisoriamente voltam a ficar atingidas pelas medidas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Para Tupã, a decisão tem um significado ainda mais forte: fica paralisado o sonho construído pelo patriarca Guerino Seiscento e posteriormente levado adiante por seu filho João Carlos Seiscento, que durante uma vida trabalharam para fazer a empresa crescer e conquistar a tão desejada linha entre Tupã e São Paulo. Agora, após a mudança na administração, atualmente conduzida por Márcia Seiscento e Luiz Veline Júnior, a cidade perde uma importante alternativa de transporte para a capital, reduzindo novamente a concorrência no trecho.
A decisão foi proferida na quarta-feira (12) pelo juiz Renato Coelho Borelli, da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal. O magistrado considerou uma sentença anterior, de 6 de agosto, na qual a Justiça já havia negado pedido da Guerino para afastar medidas adotadas pela ANTT.
Entre os pontos que pesaram contra a transportadora está a discussão sobre operações intermunicipais realizadas dentro do Estado de São Paulo. Documentos citados no processo apontam que, entre janeiro e novembro de 2023, teriam sido comercializados 449.573 bilhetes em seções apontadas como não autorizadas.
Também pesou a ausência, nos autos, de comprovação de autorização da Artesp para determinadas operações intermunicipais. A Justiça entendeu que a chamada operação conjunta depende de autorização tanto da ANTT quanto do órgão estadual competente.
A Empresas Reunidas Paulista de Transportes também ingressou no processo como assistente da ANTT e apresentou a sentença desfavorável à Guerino como fato novo para pedir a derrubada da tutela. O argumento foi acolhido.
Com isso, muda novamente o cenário que havia permitido à ANTT restabelecer provisoriamente 23 Termos de Autorização da Guerino. A decisão ainda poderá ser revista pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas, neste momento, as medidas da agência voltaram a produzir seus efeitos.
A derrota ocorre em meio a uma sequência de dificuldades enfrentadas pela Guerino após a mudança administrativa. Desde a saída de João Carlos Seiscento da condução da companhia, a empresa passou a enfrentar suspensão de linhas, problemas regulatórios, apreensões de ônibus em fiscalizações, cancelamentos de viagens e reclamações de passageiros.
O contraste chama atenção: uma empresa que levou décadas para ampliar sua presença e conquistar novos mercados agora vê parte desse patrimônio operacional ameaçado. E, enquanto a disputa continua nos tribunais, quem sente os efeitos diretamente são os passageiros de Tupã e região.