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Justiça manda restabelecer linhas da Guerino, mas nova gestão não consegue retomar operação completa

Terça, 4 de Ago. de 2026
Fonte: Redação Mais Tupã!

Mesmo com decisões judiciais favoráveis, a nova diretoria da Guerino Seiscento ainda não conseguiu colocar a empresa novamente em plena operação. O resultado pesa principalmente para os passageiros, que continuam com menos opções de viagem e voltam a enfrentar um cenário de pouca concorrência no transporte rodoviário da Alta Paulista.

A disputa por mais opções de transporte sempre foi uma bandeira do fundador Guerino Seiscento e, depois, de seu filho João Carlos Seiscento. Agora, com a empresa sob nova administração, essa conquista corre o risco de ser perdida justamente por dificuldades jurídicas e administrativas para fazer valer integralmente as decisões da Justiça.

A crise da Guerino Seiscento, que já provocou suspensão de linhas, apreensão de veículos, cancelamentos de viagens, aumento das reclamações de passageiros e preocupação entre funcionários, ganhou mais um capítulo nesta semana.

A Justiça Federal determinou o restabelecimento provisório das 23 linhas interestaduais suspensas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Mesmo assim, a ANTT publicou uma nova decisão impondo uma restrição que não aparece nas ordens judiciais.

A Decisão SUPAS nº 1.174/2026 restabeleceu as autorizações da empresa, mas proibiu embarques e desembarques em trechos intermunicipais. Na prática, a medida limita fortemente a operação e atinge diretamente viagens entre cidades da região, colocando fim, ao menos neste momento, ao antigo sonho do fundador da empresa de manter uma linha ligando Tupã a São Paulo com atendimento aos municípios do trajeto.

O ponto mais polêmico é que essa proibição não aparece nas decisões da Justiça que mandaram reativar as linhas.

Na decisão da 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, o juiz suspendeu os efeitos da medida da ANTT e determinou a imediata reativação das linhas afetadas. Não houve qualquer ordem proibindo embarques ou desembarques em cidades intermediárias.

Depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve esse entendimento e restabeleceu a decisão de primeira instância. Novamente, não foi criada nenhuma restrição desse tipo.

A comparação entre os documentos mostra que a proibição foi incluída pela própria ANTT ao publicar sua decisão administrativa.

 

Crise aumentou após mudança no comando

A situação ocorre no momento mais delicado da história recente da empresa.

Nos últimos meses, a Guerino Seiscento passou por mudanças profundas em sua administração. Depois da retirada de João Carlos Seiscento da condução da companhia, a gestão passou a ser exercida por Márcia Seiscento e Luiz Veline Júnior.

Foi nesse período que começaram a se acumular problemas administrativos, operacionais e regulatórios.
A sequência de dificuldades coincidiu com o afastamento de João, que era visto por funcionários, colaboradores e pessoas ligadas à história da empresa como o sucessor natural do fundador Guerino Seiscento.

Na nova fase, a ANTT suspendeu 23 linhas interestaduais, o que provocou cancelamentos, prejuízos aos passageiros e forte perda de receita para a empresa.

A própria Justiça reconheceu a gravidade do problema, destacando que a paralisação atingia a transportadora, os trabalhadores, os contratos e milhares de usuários.

Em outra decisão, o Tribunal Regional Federal apontou que a interrupção das linhas poderia causar uma situação de asfixia financeira, já que a empresa perdeu receitas, mas continuou com despesas operacionais e trabalhistas.

Mesmo assim, apesar das decisões favoráveis, a nova diretoria ainda não conseguiu retomar as linhas por completo. Enquanto a discussão jurídica continua, quem paga a conta é o passageiro, que perde opções, enfrenta menos concorrência e volta a depender de um mercado cada vez mais concentrado na Alta Paulista.

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