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Crise na Guerino Seiscento se agrava após mudança na gestão; passageiros enfrentam cancelamentos, atrasos e apreensões de ônibus

Quarta, 29 de Jul. de 2026
Fonte: Redação Mais Tupã!

A Guerino Seiscento, uma das mais tradicionais empresas de transporte rodoviário do interior paulista, atravessa um dos momentos mais delicados de sua história. Apesar de ter obtido na Justiça o direito de retomar as 23 linhas interestaduais anteriormente suspensas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa continua enfrentando dificuldades operacionais que têm provocado prejuízos aos passageiros.

A atual fase da companhia teve início há pouco mais de um mês, após a mudança no comando da empresa. Conforme informações apuradas pela reportagem, João Seiscento deixou a operação da transportadora e a administração passou a ser conduzida pelos sócios Márcia Seiscento e Luis Veline Junior, responsáveis atualmente pela gestão da empresa.

Embora ainda seja cedo para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a mudança administrativa e os problemas operacionais, chama a atenção que, justamente nesse período, aumentaram significativamente as reclamações registradas por passageiros. No último mês, consumidores passaram a relatar com frequência cancelamentos de viagens poucas horas antes do embarque, atrasos, dificuldades para obtenção de informações, demora nos reembolsos e falhas na prestação do serviço, demonstrando um cenário de crescente insatisfação.

Os problemas também chegaram às rodovias paulistas. Segundo informações apuradas pela reportagem, alguns ônibus da Guerino Seiscento foram apreendidos durante fiscalizações realizadas pela ARTESP, com apoio da Polícia Militar. Imagens que circulam nas redes sociais mostram veículos da empresa parados em terminais rodoviários enquanto fiscais da agência reguladora e policiais militares acompanham as ocorrências. Até o momento, não foram divulgados oficialmente os motivos específicos de cada retenção.

Os reflexos são sentidos diretamente pelos passageiros. Há relatos de pessoas que chegaram aos terminais rodoviários e descobriram apenas momentos antes do embarque que suas viagens haviam sido canceladas. Outros afirmam ter enfrentado longas esperas, necessidade de adquirir novas passagens em empresas concorrentes e dificuldades para obter atendimento ou esclarecimentos da transportadora.

O cenário contrasta com a história construída pela Guerino Seiscento ao longo de décadas. Em 2018, quando João Seiscento era o líder da da empresa, uma pesquisa nacional de satisfação realizada pela ANTT colocou a empresa como a segunda melhor companhia de transporte rodoviário interestadual do Brasil e a primeira colocada no Estado de São Paulo, reconhecimento que consolidava sua reputação como referência em qualidade, conforto e confiabilidade.

A mudança de cenário tem despertado preocupação entre passageiros, funcionários e pessoas ligadas à história da empresa. Enquanto a transportadora tenta superar os desafios administrativos e operacionais, cresce a expectativa de que a atual gestão consiga restabelecer a normalidade das operações e recuperar a credibilidade construída ao longo de décadas. Afinal, mais do que uma empresa tradicional do transporte rodoviário, a Guerino Seiscento sempre foi um patrimônio regional, cuja estabilidade interessa não apenas aos seus acionistas, mas também aos milhares de passageiros que dependem diariamente de seus serviços.

Ainda vale ressaltar que a Guerino Seiscento é uma das grandes empresas de Tupã, e que essa insegurança jurídica coloca centenas de postos de trabalho em risco, o que aumenta o temor de um dano a cidade como um todo.

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