A Justiça marcou para o dia 10 de dezembro de 2026, às 9h, o julgamento de Marcelo Nistarda da Silva Antoniassi, acusado de matar a esposa, Milena Raquel Dantas Bereta Nistarda da Silva. A sessão será realizada pelo Tribunal do Júri da Comarca de Tupã.
A decisão foi publicada no dia 22 de setembro e estabelece que o processo está em condições de prosseguir. No mesmo ato, a Justiça homologou o laudo pericial produzido no incidente de insanidade mental e determinou as providências necessárias para a realização da sessão.
A avaliação médica concluiu que Marcelo possuía capacidade para compreender o caráter ilícito de seus atos e determinar-se de acordo com esse entendimento. A defesa havia solicitado uma nova perícia, mas o pedido foi rejeitado por falta de elementos técnicos que justificassem outro exame.
Com isso, Marcelo foi considerado penalmente imputável e poderá responder criminalmente pelo fato. A decisão sobre a perícia, porém, não representa uma condenação antecipada.
Marcelo será julgado pelo feminicídio de Milena, ocorrido na tarde de 26 de fevereiro de 2024, na residência do casal, na Vila Abarca. A acusação também aponta qualificadoras relacionadas ao motivo fútil e ao emprego de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Segundo as informações reunidas durante a investigação, Milena procurou a Polícia Civil na manhã do crime, registrou uma ocorrência por violência psicológica e solicitou medidas protetivas de urgência. Ela relatou que vinha enfrentando situações de controle e violência dentro do relacionamento.
Horas depois, Marcelo teria utilizado um veículo para derrubar o portão da casa e invadido o imóvel. Milena foi atacada com diversos golpes de faca e teve órgãos retirados do corpo. A violência empregada no crime provocou forte comoção em Tupã e repercussão em todo o país.
A Polícia Militar encontrou Marcelo ainda na residência. Ele foi preso em flagrante depois de resistir à abordagem e permaneceu respondendo ao processo criminal.
O julgamento chegou a ser marcado inicialmente para maio de 2025, mas foi adiado após a defesa apresentar justificativa médica. Uma nova sessão foi agendada para setembro daquele ano, porém também acabou suspensa, desta vez após requerimento apresentado pelo Ministério Público.
Por tramitar sob segredo de Justiça, o julgamento terá acesso controlado. A determinação prevê a presença de até seis familiares da vítima e seis familiares do réu, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil.
A imprensa poderá acompanhar a sessão mediante cadastramento prévio, limitado a um profissional por veículo de comunicação. Filmagens e gravações dentro do Salão do Júri não serão permitidas.
Durante a sessão, o Ministério Público apresentará a acusação, enquanto a defesa sustentará seus argumentos. Caberá aos jurados analisar as provas reunidas no processo e decidir se Marcelo deve ser condenado ou absolvido.