As contas do setor público brasileiro voltaram a registrar forte desequilíbrio em julho. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o déficit primário atingiu R$ 66,6 bilhões, em um dos piores resultados mensais recentes. Com isso, a dívida bruta do governo geral (DBGG) subiu para 77,6% do PIB, um avanço de 0,9 ponto percentual em relação a junho.
O número evidencia a dificuldade do país em conter o crescimento das despesas diante de uma arrecadação que não acompanha o mesmo ritmo. Embora o Novo Arcabouço Fiscal estabeleça limites para o gasto público e metas de resultado, os dados de julho mostram que a credibilidade do regime está sob teste.
O déficit primário significa que o setor público gastou muito além da arrecadação, mesmo sem contar os juros da dívida. Isso pressiona ainda mais o estoque da DBGG, que se aproxima perigosamente de 80% do PIB — patamar considerado elevado para uma economia emergente.
Especialistas alertam que essa trajetória pode gerar efeitos em cadeia: aumento da percepção de risco, encarecimento do custo da dívida e dificuldades adicionais para o governo cumprir as metas fiscais.
O Novo Arcabouço Fiscal, aprovado em 2023, previa como meta zerar o déficit em 2024 e alcançar superávit em 2025. No entanto, o desempenho recente levanta dúvidas sobre a viabilidade dessas promessas. O aumento de gastos obrigatórios e a dificuldade de avançar em reformas estruturais colocam o governo em rota de colisão com seus próprios compromissos.
Mais do que números, o déficit de julho reforça a percepção de que o Brasil continua preso ao ciclo de expansão da despesa sem a devida contrapartida de receita ou eficiência. A insistência em adiar cortes estruturais e apostar apenas no crescimento da arrecadação pode prolongar o desequilíbrio fiscal e comprometer a retomada da confiança.
Indicador | Julho/2025 |
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Déficit primário | R$ 66,6 bi |
Dívida bruta do governo geral | 77,6% do PIB |
Variação mensal da DBGG | +0,9 p.p. |
Enquanto isso, o peso da dívida cresce e a janela para ajustes consistentes se estreita. Se o governo não for capaz de reverter essa trajetória, o custo poderá recair, mais uma vez, sobre a economia real, com juros mais altos, menor espaço para investimentos e impacto direto sobre a vida da população.